Sobre uma partida

Ele colocou a mão na porta, afim de segurar por mais um segundo, aquilo que parecia o fim. Ela não disse nada, apenas o olhou com os olhos de despedida. Será que ele entendia aquilo como o ato mais corajoso dela? Ela pensava.
- Não nos cabe o direito de prolongar  tudo novamente. Ela dizia, com a voz trêmula.
- E te cabe o direito de ir embora, quando temos tudo isso? Olhe ao redor e veja as paredes, veja as cores que as pintamos para fugir do tédio.
- Não dificulte as coisas, já não dói o bastante?
- E porque você não faz também as malas da sua memória, faça exatamente como fez com toda essa bagagem e essas caixas. Só que diferente no destino, coloque no lixo.
- Você não esta sendo racional.
- O que é ser racional? Sentir o que sentimos é racional? Poupe-me.  Ninguém em plena consciência, ama.
- Me atacar com palavras e todos os diálogos da sua mente, não vai me fazer ficar.
Apenas ouviu o som da porta bater, seguida da partida do carro.

Segurar a porta era apenas um jeito de prolongar os minutos com ela. Ele sabia, era certo a sua partida.

Comentários

  1. Às vezes isso acontece mesmo. A gente sabe que vai acabar, mas precisa de um pouco mais antes do fim. Dói, mas não deixa de ser um pequeno alívio, uma pequena despedida.

    um beijo meu

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